Hipnose – hipnose em Curitiba é no Túnel do Tempo
Postado em 07/05/2011.
Entrevista com David Servan-Schreiber (Folha Sinapse – Folha de S. Paulo, 10/2003)
“Não inventei nada”
FERNANDO EICHENBERG (free-lance para a Folha de S. Paulo, de Paris).
O neuropsiquiatra David Servan-Schreiber recebeu a Folha de S.Paulo em seu apartamento em Paris, onde falou sobre as idéias expostas no seu livro “Guérir”. Confira, abaixo, trechos da entrevista.
Folha – Segundo o sr., vivemos sob a tirania dos medicamentos psicotrópicos, receitados de forma abusiva para combater o estresse, a ansiedade e a depressão.
David Servan-Schreiber – Muitas pessoas tiveram a vida salva pelos antidepressivos. Hoje, eles provocam muito menos efeitos secundários que no passado. O que não é normal é o desequilíbrio com que são utilizados. Um francês em cada sete toma antidepressivo ou ansiolítico. Nos EUA, cerca de 10 milhões de americanos tomam antidepressivos. Isso é anormal. O lítio e outros medicamentos são muito eficazes. O importante é utilizá-los em casos legítimos e justificados. Essa medicina não reconhece que o corpo e o cérebro emocional têm sua própria capacidade de adaptação e reequilíbrio.
Folha – Em relação à psicanálise, o senhor chegou a dizer que, praticada seguidamente, é uma perda de tempo.
Servan-Schreiber – O que eu digo é que o objetivo da psicanálise não é curar. E foi Jacques Lacan [1901-1981] quem disse isso. Ele afirmou: “O objetivo da psicanálise é a compreensão de si mesmo, e a cura, quando ocorre, é um benefício em acréscimo”. Eu sou médico, e o que me interessa é a cura. Toda minha vocação e meu interesse pela medicina está em aliviar o sofrimento. É bastante presunçoso escrever um livro com o título “Guérir” ["curar"], mas me permiti fazê-lo porque a definição de cura é muito simples: quando os sintomas da doença desaparecem e não retornam. O que constatei —e está nos livros científicos— é que vi repetidamente pessoas serem curadas desses males por esses métodos naturais, e os sintomas não reapareceram. Então, pode-se falar de cura. Apresente-me um estudo sobre a psicanálise que mostre isso. Não conheço nenhum. Mas não se trata de dizer que a psicanálise é uma perda de tempo. Depende do que você quer.
Folha – Por que falar, hoje, da medicina de “autocura pelo corpo”?
Servan-Schreiber – Se eu corto o dedo e provoco uma ferida, em alguns dias ela estará cicatrizada, e logo nem saberei mais onde foi o corte. No cérebro emocional, temos os mesmos tipos de mecanismos de adaptação, de cicatrização, que podem ser aprendidos por métodos naturais. Passei 20 anos estudando o cérebro. Pude constatar a eficácia desses métodos naturais de tratamento, os quais nunca me foram ensinados na universidade. Quando constatei que esses métodos funcionavam, e ainda melhor se comparados aos métodos tradicionais que havia aprendido, resolvi falar deles. Mas não inventei nada. Tudo o que está no meu livro são métodos já citados na literatura científica.
Folha – O que é essa “nova medicina emocional”?
Servan-Schreiber – A idéia central não é minha, mas, sobretudo, de António Damásio, que é para mim o maior neurocientista do mundo. Nos seus livros, ele diz que as emoções são emanações de tudo que se passa no corpo. A emoção é a sensação percebida do estado da fisiologia. Não há nenhum sentido em separar as emoções do que ocorre no corpo. Se vamos até o fundo da tese de Damásio, devemos passar pelo corpo, pelo estado da fisiologia, para transformar e curar os problemas das perturbações emocionais. O controle da coerência cardíaca, a hipnose usando os movimentos oculares, a terapia pela luz e pela simulação do nascer do Sol, a acupuntura, a nutrição, o exercício físico e também a importância do afeto, tudo isso são formas para aprender a utilizar o cérebro emocional e entrar em conexão para colocar a fisiologia no seu estado ótimo. Eu pego as idéias de Damásio e as levo até o limite, coloco sua teoria em prática. Aliás, é o que ele mesmo diz.
Folha – Alguns dos métodos que o sr. prega foram modismo nos anos 60 e 70, período fértil em terapias alternativas e de difusão do ioga e da acupuntura. A que o sr. credita o sucesso de seu livro hoje?
Servan-Schreiber – A primeira razão está relacionada ao fato de que se ouviu muito falar desses métodos por pessoas que não tinham credibilidade científica. O que interessava ao público era ouvir alguém como eu, que comandou o serviço de psiquiatria num hospital de uma grande universidade ortodoxa de medicina convencional, falando sobre isso. A mensagem nova foi alguém assim dizer que há coisas na literatura científica que funcionam bem e não são utilizadas como poderiam. Outra razão está relacionada a um movimento planetário, em que as pessoas desejam uma indústria não poluente e que produza, mesmo assim. Elas desejam uma agricultura que as alimente, mas que não as envenene. E o mesmo vale para a medicina, que utilize as capacidades do corpo para se reequilibrar, e que seja uma medicina “ecológica”, natural.
Folha – Em resumo, seus métodos não trazem nenhuma novidade, mas a comprovação científica de técnicas já conhecidas.
Servan-Schreiber – A idéia de que se pode ser curado pela nutrição não é nova. Hipócrates já dizia isso. Acupuntura, nutrição, exercício físico, nada disso é novo. A coerência cardíaca é inspirada em tipos de meditação que datam de 5.000 anos. O novo é que começamos a ter estudos científicos que mostram que os métodos funcionam. Graças às novas técnicas de obter imagens do cérebro em atividade, começamos a entender como funciona a acupuntura, como certos pontos podem anestesiar o centro de ligação da ansiedade no cérebro. Isso é apaixonante. Na questão da nutrição, começamos a perceber no nível bioquímico a importância dos ácidos graxos ômega 3 na própria constituição das membranas neuroniais, no equilíbrio emocional e no controle das reações de inflamação no corpo. Isso é revolucionário. Sabíamos que a nutrição era importante, mas não com tanta precisão. O estudo sobre o papel dos animais de companhia no equilíbrio emocional data dos últimos cinco anos. Não é nenhuma novidade dizer que ter um gato ou um cachorro faz bem. Mas, sem os estudos científicos, não podíamos recomendar isso num dossiê médico no hospital. Por isso me senti capaz de colocar tudo num livro, com argumentos que pudessem convencer os leitores. Os estudos científicos são novidade, mas a maioria dos conceitos são antigos.
Folha – E quanto à coerência cardíaca?
Servan-Schreiber – A noção de coerência cardíaca é nova. Há uns 15 ou 20 anos compreendemos a importância da variabilidade do ritmo cardíaco em cardiologia. Mas sua compreensão no controle das emoções, sua importância para o controle do cérebro, começou a ser compreendida há cinco anos. Data de milênios a idéia de que se pode controlar o corpo pela respiração e pela concentração. Os budistas, por exemplo, compreenderam isso há 2.500 anos. Mas compreender como ela atua e precisar como se pode fazer isso da forma mais eficaz possível é que é novo.
Folha – O tipo de hipnose citado, que trabalha com a reprogramação dos movimentos oculares, pode realmente ajudar a resolver problemas emocionais?
Servan-Schreiber – A idéia de que se pode utilizar o movimento dos olhos e focalizar no corpo para estimular os mecanismo de digestão dos traumas emocionais foi inteiramente desenvolvida por Francine Shapiro, na Califórnia, em 1982. Há 14 estudos devidamente testados que provam esse método, recomendado por instituições médicas em vários países. O método foi aceito pelos ministérios da Saúde da Inglaterra, da Irlanda e de Israel. Mas ainda é algo bastante controverso. Há muitas pessoas que, apesar dos estudos científicos, não querem acreditar que funciona, porque não entendem como funciona.
Folha – O senhor diz que os Estados Unidos destinam anualmente US$ 115 milhões para experimentação e avaliação desses métodos. Há um grande atraso nessas pesquisas nos demais países?
Servan-Schreiber – A França é um caso particular, porque o público é extremamente aberto, e as instituições, extremamente conservadoras. Há uma tensão incrível. Era o caso nos EUA, e foi preciso um grande esforço para chegar aonde se está hoje. Foram os parlamentares que obrigaram o Instituto Nacional de Saúde americano a criar um centro de pesquisas sobre as medicinas complementares. Depois, a coisa decolou. Nunca houve um aumento de orçamento tão rápido. Começou com US$ 1 milhão por ano, em 1992, para chegar a US$ 110 milhões, em 2002.
Folha – O senhor relata no livro experiências realizadas em empresas. Existe algum programa de utilização desses métodos nas escolas?
Servan-Schreiber – Sei que existe um projeto em estudo pelo Ministério da Educação da Grã Bretanha envolvendo cerca de 40 mil alunos, para ensiná-los a praticar a coerência cardíaca para melhor administrar suas emoções e suas próprias capacidades de concentração. Por enquanto, ainda é um projeto piloto.
Folha – Suas teses têm provocado polêmica na comunidade científica?
Servan-Schreiber – Até agora, não houve um verdadeiro debate na França. Na Suíça, há neurologistas e psiquiatras que discordam das minhas teses. Fico extremamente contente com esses debates. A principal crítica que recebo é do tipo “se tudo isso fosse verdade, todos saberiam”, e não aceito esse argumento. Tudo já é sabido, está escrito nos livros científicos, mas o problema é que há pouca motivação para desenvolver essas técnicas. Não se pode patenteá-las, pois são técnicas naturais. Ninguém poderá patentear os peixes que têm ômega 3, o controle da respiração, a acupuntura, os exercícios físicos, o afeto, a luz, a hipnose. Portanto, não se poderá ganhar dinheiro com essas patentes, o que é uma motivação a menos. Em segundo lugar, todos esses métodos exigem muito mais tempo do médico do que escrever uma prescrição de Prozac, que leva dois minutos.
Folha – O seu discurso, por vezes, assemelha-se a aforismos budistas.
Servan-Schreiber – Gosto bastante da expressão “mind-body medicine” ["medicina do corpo e da mente"]. Ela define a integração do que existe de melhor na medicina convencional com o que funciona nessa medicina que utiliza as capacidades de autocura do organismo. Mas não é preciso se tornar um budista. Estive recentemente num debate com o dalai-lama [líder espiritual do budismo tibetano], em Boston, e ele disse ao final de sua conferência: “Você não precisa crer na reencarnação, no nirvana ou nas divindades budistas. Comece simplesmente tendo mais emoções positivas do que negativas e a concentrar seu espírito e sua atenção nisso. Já assim você começará a ser um ser humano muito mais evoluído”.
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CRESCE O USO DA HIPNOSE
É um estado alterado de consciência; intermediário entre a vigília e o sono propriamente dito. Assim os estudiosos da prática definem a hipnose. O que, durante anos, sempre foi visto com olhos de desconfiança – muitas vezes associado ao charlatanismo, mitos ou religião -, aos poucos mostra um efetivo propósito. A finalidade terapêutica da prática cada vez mais atrai profissionais e leigos.
Como explica o psicólogo e psiquiatra Rui Sampaio, especialista em hipnose, a aplicação da prática é bastante ampla. Tanto na medicina quanto na odontologia, a hipnose pode substituir o anestésico. Especificamente na medicina, segundo o especialista, a prática tem grande aplicação nas áreas de cardiologia, ginecologia e obstetrícia (para partos sem dor), psiquiatria, dermatologia e medicina psicossomática (para aliviar dores ou tensões por stress).
Na psicologia, informa Sampaio, a hipnose é utilizada para tratar todos os tipos de fobia, quadros de depressão, quadros de ansiedade, para eliminar traumas e insônia. Uma outra aplicação é a hipnose forense. É exatamente nesta prática que Sampaio se especializou. “Faz 27 anos que eu trabalho com hipnose. Comecei no Instituto de Criminalística, onde sou chefe do Laboratório de Hipnose Forense. No início, enfrentei muito preconceito. Foi depois de anos que conquistei credibilidade e respeito nesta área de atuação”, conta.
Sampaio esclarece que, na criminalística, a hipnose é aplicada em vítimas e testemunhas de crimes como estupro, seqüestro, assaltos e alguns casos de acidentes e homicídio. Usamos muito para fazer o retrato falado. Geralmente nas pessoas que viram, mas esqueceram devido ao trauma sofrido. É preciso esclarecer que só se usa quando a pessoa (vítima ou testemunha) tem amnésia, revela.
O psiquiatra ainda comenta que são várias as técnicas de hipnose que se aplicam: “Depende do caso apresentado. No caso do crime, a pessoa chega, passa por uma anamnese (entrevista) para ver se pode passar por hipnose. Em seguida, vou me inteirando do que a pessoa viu. A partir daí faço as orientações e parto para a hipnose. Faço a pessoa fazer o retrato do acusado, mentalmente. Ela acorda da hipnose lembrando do fato e das características para o retrato falado. Basta os olhos, nariz e boca. Em 90% dos casos a gente consegue fazer. Não se consegue quando o trauma é muito grande”, diz.
No mesmo ritmo em que aumentam as aplicações, diminuem os preconceitos e os mitos em relação à hipnose. Há alguns anos era vista com maus olhos, eram mal aceitas. O que justificava essa visão era o apelo teatral e até charlatão que tinha a prática. Hoje está avançando muito. Temos profissionais que atuam seriamente, conclui Rui.
Para não ser enganado por um charlatão, a recomendação é buscar os conselhos profissionais para indicações. “Comparo a prática ao uso de um bisturi: na mão de um cirurgião capaz salva vidas, mas na mão de um despreparado pode trazer sérios prejuízos”, compara Sampaio.
Dentistas aceitam melhor que os médicos
Ao mesmo tempo em que os profissionais da odontologia estão cada vez mais abertos para a prática, alguns médicos ainda mantêm um certo receio. Dentista, presidente da Comissão de Terapias Complementares do Conselho Regional de Odontologia do Paraná, Cícero Schmidt utiliza a hipnose no consultório há 15 anos. “Trabalho com a hipnose diariamente. De um modo geral, as pessoas têm grande temor e ansiedade em relação ao dentista, uma certa fobia. A hipnose vem exatamente para tirar esse medo e fazer com que o paciente fique mais tranqüilo”, explica o odontólogo.
Segundo Schmidt, na odontologia, o uso da hipnose funciona. “Consigo desde um leve relaxamento até a hipnose mais profunda, para fazer até cirurgia sem anestesia. O único objetivo é dar conforto e bem-estar ao paciente”, diz.
Já o psiquiatra Marcos Antônio Bessa, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), vê com ressalvas a utilização da hipnose. “Depende da finalidade. Não serve para tudo, nem resolve todos os problemas. Porém, se for feita por profissionais capacitados e com indicações corretas, não tem problema”, afirma.
Segundo Bessa, em muitos casos em que a hipnose é utilizada para tratar problemas de saúde como enxaqueca e outros, a prática nem sempre mostra resultado. Ele acredita que não houve ainda um aumento significativo da prática, assim como não há muita pesquisa sobre o assunto. Perceberam-se os limites da prática, por isso acho que não teve muita adesão, pondera.
Aumentam cursos de formação
A psicóloga Josiane Farias Knaut, além de ministrar cursos sobre hipnose, utiliza a prática no consultório. Ela explica que é muito utilizada para tratar depressão, assim como outros quadros de ansiedade. “O próprio relaxamento que a hipnose proporciona já é um benefício real da prática”, afirma.
Desmistificando os vários pré-conceitos que antes eram associados à hipnose, a psicóloga diz que pode acontecer no dia-a-dia, como um fenômeno natural. Assim como as aplicações, os cursos de formação na prática têm se ampliado. “Atualmente há a preocupação em treinar para que os profissionais atuem melhor na área”, completa.
Em relação à aceitação dos pacientes, Josiane diz que ainda há muitos mitos, o principal é o questionamento: “E se eu não voltar?, mas isso não existe. Hoje as pessoas estão bem mais habituadas com o tema. Hoje há mais esclarecimento”, observa a psicóloga.
A universitária L.S., de 20 anos, tinha muito pesadelo e sofria com a ansiedade. O tratamento que a psicóloga Josiane Knaut usou foi a hipnose. “Melhorou muito. Não tive mais pesadelos, assim como diminuiu a minha ansiedade”, relata a estudante. Ela passa por hipnose há pelo menos três anos, já poderia ter tido alta, mas, como revela, “a hipnose me faz dormir bem”.
(Fonte: www.parana-online.com.br/editoria/mundo/news/249920)
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Hipnose é um estado diferenciado de consciência, alterado em comparação com os estados ordinários de vigília e de sono, com elevada receptividade à sugestão por parte da pessoa que nele ingressa, por si mesma ou com intervenção de outra pessoa.
É um conjunto de técnicas psicológicas e fisiológicas usadas para a modificação gradual da atenção. Durante este processo, o grau de suscetibilidade à hipnose é medido pela capacidade dos pacientes em desconectar sua consciência do mundo exterior e se concentrar em experiências sugeridas pelo hipnólogo. Quanto maior for essa capacidade, maiores serão as possibilidade do paciente desenvolver fenômenos hipnóticos sugeridos, dentre os quais podemos destacar: amnésia total ou parcial da experiência hipnótica, anestesia, modificação da percepção, alucinações, crises histéricas, aguçamento da memória, modificação nas respostas fisiológicas, entre outros.
Alguns especialistas afirmam que toda hipnose é, afinal, auto-hipnose, pelo fato de depender precisamente da aquiescência ou consentimento (num dado grau ou nível, ainda que incipiente) daquele que deseja ou, pelo menos, concorda com ser hipnotizado.
Quando um hipnólogo induz um transe hipnótico, estabelece uma relação ou comunicação muito estreita com o hipnotizado. Isso, de fato, é essencial para o sucesso da hipnose.
TRANSE HIPNÓTICO É ATENÇÃO CONCENTRADA
Embora durante a indução hipnótica freqüentemente se utilizem expressões como “durma” e “sono”, isso é feito porque tais palavras criam a disposição correta para o aparecimento do transe. Não significam, em absoluto, ingresso em estado inconsciente. O paciente em transe percebe claramente o que ocorre à sua volta, e pode relatá-lo.
A parte mais importante da indução hipnótica se denomina “rapport”, que pode ser definido como uma relação de confiança e cooperação entre o hipnólogo e o paciente. Qualquer violação desta relação com sugestões ofensivas à integridade do paciente resultaria em interrupção imediata e voluntária do estado de transe por parte do mesmo. Infundado, portanto, o temor de revelar segredos contra a vontade ou praticar atos indesejados. Da mesma forma, a crença de que se pode morrer em transe ou não mais acordar é meramente folclórica e não corresponde à realidade. Um paciente “esquecido” pelo hipnólogo sairia espontaneamente do transe ou passaria deste para sono fisiológico em poucos minutos.
DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS
Ansiedade, pânico, fobias, depressão, disfunções sexuais no homem ou na mulher, e dezenas de outras sintomatologias, principalmente de origem psicossomática.
O sofrimento psicológico pode ser tão ou mais intenso e incapacitante quanto a dor física.
As atuais técnicas psicoterápicas convencionais nem sempre são eficazes e por vezes são muito demoradas e onerosas.
Medicação, conquanto competentemente prescrita, está freqüentemente associada a efeitos colaterais, secundários desagradáveis. Afora o fato de, também com freqüência, não se conhecer medicamente, com a profundidade necessária e suficiente, da doença.
Em princípio, qualquer disfunção suscetível de psicoterapia, é tratável com hipnoterapia.
Assim, pois, as disfunções alimentares em geral, como anorexia, bulimia, obesidade.
Emagrecimento saudável não pode ser obtido da noite para o dia. Pelo menos não sem impor riscos e agredir o organismo com cirurgias desnecessárias, dietas rigorosas e prejudiciais ou medicamentos perigosos. E mesmo assim tais resultados raramente são duradouros.
As diferenças entre uma pessoa obesa e uma magra vão muito além do que a balança e o espelho registram.
O atendimento baseado em hipnose propõe uma reestruturação da personalidade, na qual magreza e elegância acompanham mudanças profundas e definitivas na relação do indivíduo com o mundo.
DÚVIDAS MAIS COMUNS SOBRE HIPNOSE
A hipnose é causada pelo poder do hipnotizador?
Este é um mito comum em hipnose de Show, o que se vê é alguém autoritário sugestionando as pessoas a fazerem aquilo que eles pedem e muitas vezes não há resultados. A hipnose não acontece apenas pelo poder do hipnotizador, mas sim, pela aceitação e interação da pessoa que deseja experienciar aquilo que se pede. A hipnose só acontece num campo de harmonia e confiança (rapport) entre operador e cliente. Pode-se afirmar com toda a segurança que o sucesso de uma hipnose deve-se muito mais ao poder de concentração e de imaginação do paciente do que da própria habilidade do hipnólogo.
Quem pode ser hipnotizado?
Teoricamente qualquer pessoa pode ser hipnotizada. Há pessoas que acreditam que só acontece com pessoas de mente fraca. Na verdade a hipnose faz parte do nosso dia a dia. Entramos em transe espontaneamente algumas vezes por dia. Quem não experienciou tomar banho, ir se desligando de tudo e viajar nos pensamentos? Quem já não deu um telefonema e esqueceu para onde ligava? Quando você dirige um automóvel, presta a atenção ao trânsito e troca marcha, pedais, seta, limpador, luzes e ainda conversa com os passageiros sem perceber. Andar grandes distâncias, sem se dar conta o quanto havia percorrido. Estar assistindo a um filme de forma tão concentrada que sequer percebe que a comida que deixou no fogão está queimando, exalando fumaça pela casa. Esses fenômenos hipnóticos do nosso dia a dia são fenômenos de focalização e atenção. Portanto, um hipnotizador habilidoso numa boa interação com seu cliente de confiança e motivação certamente o levará ao transe. Em tese, todas as pessoas são de alguma forma hipnotizadas naturalmente durante o dia a dia. E também podem ser hipnotizadas por indução. O hipnotismo se processa melhor em pessoas inteligentes, com bom poder de concentração e de imaginação, podendo, eventualmente, não alcançar aquelas que tem o senso crítico muito exacerbado, ou que ocupam posição de mando na sua vida laboral, e também aquelas que não conseguem de forma alguma relaxar por se concentrarem muito mais no passado e no futuro do que no presente. A grande taxa de insucesso numa sessão de hipnoterapia ocorre com pessoas que nunca abrem a guarda, estão sempre na defensiva, não abdicam do controle de sua mente, seja por uma condição própria de sua personalidade, seja por não confiar no terapeuta.
O hipnotizador controla o desejo do cliente?
A mente inconsciente é sabiamente amiga, portanto, esta afirmativa é falsa. Todos nós somos protegidos pelo nosso inconsciente de fazer aquilo que não deseja. Caso ele o faça é porque julgou inofensivo, ou por acreditar que aquilo possa ajudar. No mais, todos nós temos interiormente um código ético e moral, e somente faremos qualquer coisa que não esteja em conflito com as regras constantes deste código. Dizer, portanto, que o hipnólogo induziu o paciente a matar alguém, no mínimo é uma hipótese muito remota. A não ser que o paciente já tinha a intenção de cometer o crime em razão do ato não contrariar suas normas morais internas.
A hipnose pode ser prejudicial à saúde?
Tudo que é demais prejudica. Mas em si a hipnose não faz mal algum, pois é parte de nossa vida diária. O que faz mal é a manipulação inescrupulosa por certos profissionais e a credulidade de certos clientes. A reação “adversa” mais comum é uma sensação de bem estar, de relaxamento, de serenidade.
Alguém pode se tornar dependente da hipnose?
Quando as pessoas procuram por ajuda, estão de certa maneira dependentes do profissional que as atende. Mas a medida que vão harmonizando suas queixas, esta dependência acaba. O objetivo é ajudar a pessoa a ser auto suficiente. Pode-se até ensinar a auto hipnose como auto-ajuda e independência.
A pessoa pode não voltar do transe e ficar presa nele?
Não é possível que isso aconteça; o máximo que acontece é a pessoa adormecer, que seria o passo seguinte ao transe profundo. Sabemos que o transe é um estado entre vigília e o sono. Se você se aprofundar irá dormir e pode ser acordado.
A pessoa fica inconsciente em transe?
A hipnose é um estado de atenção focalizada, o que não quer dizer que você perca a consciência. Ocorrem modificações nas percepções e, num nível mais profundo de transe; acontece um desligamento da atenção vigilante. É só no transe profundo é que ocorre a amnésia total.
Hipnose é Terapia?
A hipnose não é a terapia, mas uma boa ferramenta utilizada numa terapia, que ajuda a acessar o inconsciente de uma maneira ágil. Mas a hipnose por si só traz alívio e paz.
Hipnose é Regressão?
Regressão é um dos muitos fenômenos que podem ocorrer com a pessoa em transe, mas nem toda pessoa regride quando entra em transe. Principalmente as pessoas mais ligadas, mais controladoras, muito pensativas racionalmente. Possuem resistência maior de entrar em transe profundo. Para haver regressão há necessidade de um transe médio profundo. A regressão ocorre como uma hiperamnésia, em que, fatos, imagens e sensações são revivificadas de maneira intensa. Pode ocorrer naturalmente ou por indução. Mas a regressão não é hipnose. A hipnose abrange outros fenômenos que também são utilizados dentro do transe, muitas vezes com maior eficácia e não procura sensação de derrota para aqueles que não conseguem. Não há necessidade de fazer regressão na hipnoterapia. Lembramos que a regressão de memória pode ser construída. O que vale é a realidade psíquica para o nosso trabalho.
Há perigos na hipnose?
A hipnose trabalha a mente inconsciente do ser humano (o oculto) devemos ter muito cuidado e ética. A hipnose exige conhecimentos profundos do profissional, um bom preparo e estudo da mente humana (Psicanálise, Psicoterapias, Psicopatologia etc..). É útil e eficaz em mãos hábeis, se torna perigosa se aplicada inescrupulosamente.
A hipnose pode ser aprendida por um hipnotista de palco?
Se o propósito for a psicoterapia, não adianta só saber hipnotizar e dirigir através de ordens, o que um hipnotizador de palco sabe fazer muito, e não tiramos seu mérito. Mas é preciso muito mais, há de se analisar o lado Psicológico, Psicanalítico e Psicodinâmico dos problemas que a pessoa traz.
A hipnose realiza milagres?
Pode até parecer, mas não é. A hipnose é um trabalho sério, desenvolvido cientificamente. O que ocorre quando a hipnose é bem aplicada com uma interação do operador e paciente, juntando-se a motivação e a abertura de riquezas do seu inconsciente, então se abre um novo caminho, o acesso às respostas interiores parece milagre, mas é algo cientificamente teórico.
A hipnose significa inconsciência?
Infelizmente as pessoas estão mal informadas ou não conhecem a hipnose. Estar em transe não é ficar inconsciente. Estar em transe é ficar atento, com uma atenção focada. Quer dizer atenta a tudo que o hipnotizador diz, e não “apagar”. O sujeito em transe (hipnotizado) ouve, sente e fala, mas em uma abertura especial e não na falta de consciência. Se juntarmos isto ao milagre anterior, você verá muitas pessoas que procuram a terapia de hipnose, não terem um bom resultado. As pessoas têm tanto medo do inconsciente que estão a procura de alguém que faça um milagre de forma inconsciente. Aqueles que escolherem esta terapia como alternativa precisam estar motivados a aceitação e acreditar que lá no fundo existe um tesouro em recursos para sua recuperação.
O paciente é hipnotizado logo na primeira sessão?
Isto depende muito, variando de paciente para paciente, não existindo uma regra. Alguns entram em transe rápido, outros demoram um pouco mais, mas todos podem ser hipnotizados desde que realmente desejem. Isto poderá ocorrer na primeira ou nas últimas sessões, não havendo previsão. O hipnólogo consciente e ético não deve prometer nada neste sentido. Pacientes extremamente ansiosos tem maiores dificuldades, já que seus cérebros funcionam muito rapidamente, dificultando a concentração. Às vezes costumo recomendar a estes pacientes que procurem um médico e que comecem a utilizar algum tipo de ansiolítico, tal qual o Rivotril ou o Frontal, por um breve período de tempo para desacelerar a mente. Depois o medicamento poderá ou não ser descontinuado, dependendo da avaliação do paciente em conjunto com o médico que fez a indicação. O uso de florais por uns 15/30 dias antes da primeira consulta também é muito produtivo, pois as essências florais trabalham a “energia” sutil do corpo, e permitem deixar a ansiedade sob controle.
A hipnose debilita a mente?
Ao contrário, limpa a mente, reabilita suas energias vitais, harmoniza os seus sentimentos para que a pessoa possa se soltar em busca de seus objetivos.
Uma pessoa hipnotizada revela seus segredos?
Não, de maneira alguma, não poderá o hipnotizador fazer com que ela confesse seus segredos como se estivesse drogada; falará somente se quiser. A hipnose pode ajudar a lembrança vivida de um fato esquecido, desse modo a pessoa vai dizer o que necessita. A hipnose não é um processo que obriga as pessoas a dizerem o que não querem.
E se houver a morte do hipnotizador durante o transe?
O que acontecerá é que, se o cliente não ouvir mais a voz do hipnotizador, interromperá o transe induzido ou continuará em auto-hipnose e em seguida despertará como se estivesse em sono natural.
Mas, simplificadamente, porque a hipnose funciona realmente?
A via de acesso no organismo humano mais eficiente para resolver sintomas físicos mais rapidamente é a endovenosa. Para o remédio fazer efeito mais rapidamente, os médicos usam injetar substâncias medicamentosas diretamente na veia do doente. A via de acesso mais eficaz para penetrar no subconsciente do paciente é a hipnose, pois neste estado a mente consciente (ou mente analítica) se afasta, dando lugar à mente inconsciente e potencializando as sugestões dadas pelo hipnoterapeuta.
Há casos em que o paciente tem a sensação (ou quase certeza) de não ter sido hipnotizado, embora verdadeiramente tenha entrado em transe?
Sim, principalmente para os pacientes que somente atingiram o transe leve. Por se recordarem de tudo o que foi conversado (e é essa mesma a função da hipnoterapia), alguns pacientes duvidam que tenham sido hipnotizados. Ainda fazem parte daquelas pessoas acostumadas a assistirem verdadeiros “shows” de hipnose de palco, onde os participantes em estado de transe comem uma cebola supondo estarem comendo uma maçã; ou cacarejam como galinhas, servindo-se de verdadeiros palhaços ao hipnotizador e à platéia. A hipnoterapia é bastante diferente. Nela o paciente está totalmente consciente das sugestões que lhe estão sendo dadas, com a diferença de que o seu cérebro, em estado alterado de consciência, tem a capacidade muitíssimas vezes mais ampliada para absorver o conteúdo destas sugestões e colocá-las em prática no dia-a-dia sem qualquer questionamento ou senso de auto-crítica.
NEM SEMPRE A EFICÁCIA DA HIPNOSE É RECONHECIDA
Às vezes o hipnoterapeuta, se não estiver emocionalmente bem preparado, pode se sentir indignado com a reação de alguns pacientes. Isto não é raro, aliás, é mais comum do que se possa imaginar. Recentemente um cliente, que chamarei de Senhor X, me procurou com queixa de dor no braço direito e o seu médico lhe informara que se tratava de bursite e que não podia lhe oferecer nada para minorar o sofrimento, a não ser o uso quase que contínuo de potentes antiinflamatórios que por sinal irritavam sua mucosa estomacal a ponto de não poder tomar nem um cafezinho sem sentir azia e queimação. Essa moléstia o incomodava há vários anos, motivo pelo qual, sendo indicado por um amigo comum, resolveu me procurar, mesmo não acreditando muito em hipnose. Durante 2 meses atendi o Senhor X, realizando sessões hipnóticas pelo menos 1 vez por semana. Embora não acreditasse muito em hipnose, como ele próprio reconhecia, era bastante responsivo ao procedimento e entrava sem muita dificuldade em transe hipnótico, o que facilitou a terapia. Nas primeiras sessões de hipnose ele ainda se queixava de dores intensas, que foram diminuindo com o passar do tempo, até cessarem definitivamente depois da 12ª sessão, quando decidimos, em conjunto, suspender o atendimento. A partir de então acordava totalmente sem dor, dizendo à sua esposa que estava se sentindo muito bem. Naturalmente ela ficou alegre e disse que certamente a hipnose havia funcionado, já que com a medicina convencional não obtivera resposta em longos e sofridos anos. Para surpresa da esposa (que depois me confidenciou, pedindo segredo), ele disse textualmente:
_ Nada disso, a hipnose não tem nada a ver com isto. Pude ouvir tudo o que o terapeuta me dizia e estava ciente de tudo o que ocorria durante as sessões. A dor se foi por si mesma.
Não fiquei chateado. Afinal, mesmo desacreditando no procedimento, ou na terapia utilizada, estou convicto de que a hipnose foi uma ferramenta fundamental para o alívio dos sintomas que incomodavam o Senhor X. E só isto basta para que eu me sinta plenamente realizado como profissional.
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